BUSINESS | 3 MINUTOS

Tecnologia como motor da mudança: o mundo do trabalho pós-pandemia

Escrito por Rui Teixeira
Chief Operations Officer @ ManpowerGroup

Mulher com sono no escritorio

Segundo Jorge Moreira da Silva, Diretor da Cooperação para o Desenvolvimento na OCDE, “a pandemia representa a quarta vaga de mudanças profundas na configuração do futuro do trabalho”. No entanto, o certo é que à medida que emergimos da COVID-19, o mundo do trabalho continua a transformar-se e a tendência é que não regresse ao seu estado anterior. A mutação contínua e profunda deve-se também à digitalização e transformação tecnológica, que cresce a um ritmo acelerado e impacta todos os setores, trazendo mudanças estruturais sobre as quais vale a pena refletir.

O futuro das empresas passa agora pela automatização dos seus processos, mas também da própria experiência do consumidor.

O futuro das empresas passa agora pela automatização dos seus processos, mas também da própria experiência do consumidor. A isto, alia-se uma melhor combinação entre talento e tecnologia, que fará com que todas as empresas sejam digitais e apostem em canais que mantenham a comunicação das equipas, mesmo à distância.

Com a adoção destes instrumentos, mesmo após a COVID-19, os colaboradores esperam uma maior autonomia sobre a escolha do seu modelo de trabalho e que os regimes híbridos sejam privilegiados. Independentemente da opção laboral, a entidade empregadora deve favorecer a segurança das suas equipas, o seu bem-estar e uma combinação equilibrada entre a vida profissional e a pessoal.

Com a crescente dependência do digital, é expectável que se acentue ainda mais a desigualdade entre a força de trabalho que tem competências para se adaptar à transição tecnológica e a que não as tem. Para combater esta tendência, das empresas espera-se um maior esforço pela qualificação e requalificação dos colaboradores, através de formações mais curtas e mais alinhadas com funções e tarefas específicas. Só assim será possível formar profissionais versáteis, preparados para os empregos de amanhã e que consigam responder às novas necessidades, através das competências técnicas e das soft skills procuradas pelo mercado.

Num futuro ditado pela tecnologia, as equipas estarão também cada vez mais preocupadas com a segurança e utilização dos seus dados. Neste sentido, os empregadores e responsáveis de recursos humanos devem ser totalmente transparentes com os colaboradores sobre a forma de gestão destas informações, o que aumentará a sua confiança na empresa e na sua atuação.

Além de criar uma maior conexão entre as diversas partes das empresas, o avanço tecnológico leva ainda a que as organizações mais digitalizadas e que, em síntese, cumpram os três R’s – Renovar, Requalificar e Redistribuir – tenham um maior sucesso e maior facilidade em criar empregos. Porém, Portugal tem ainda um longo caminho a percorrer.

Atualmente, estamos entre os dez países que menos aceleraram a sua transformação digital, sendo que esta situação se deve em grande medida à composição do nosso tecido empresarial. Na nossa realidade, as Pequenas e Médias empresas estão em maior número, mas são também estas as que têm menos meios para investir na automação de processos, uma realidade que precisa de ser invertida.

É preciso agora que as empresas coloquem a transformação digital e a automação como uma das suas principais prioridades.

É preciso agora que as empresas coloquem a transformação digital e a automação como uma das suas principais prioridades. Só assim será possível serem competitivas, superarem e liderarem o seu setor e serem motores da economia. Mas o esforço não se fica por aqui. Todos os membros das organizações devem contribuir para esta evolução, independentemente da sua função ou posição na hierarquia, através do fomento de uma aprendizagem digital constante, que tenha impacto positivo no dia-a-dia da organização.

Para democratizar o processo tecnológico, levando-o a todas as empresas nacionais, não tenho dúvidas que o caminho passa pela aposta nos incentivos à digitalização, que deverão ser aplicados de forma rigorosa e geradora de um real valor para os clientes, de forma a colocar Portugal na vanguarda da inovação.

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