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Teletrabalho – O nascer de uma nova “Estirpe” de workaholics

Escrito por Ana Rita Simões
Operations Director @ Allianz Partners
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Mulher com sono no escritorio

Começo este artigo por afirmar a minha convicção em relação ao Teletrabalho: acredito que o regime híbrido (uma parte do trabalho presencial e uma parte remota) é benéfico, necessário e atual. Por todas as razões já amplamente discutidas noutros forúns, o teletrabalho permite o tal equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Posto isto, o que muitos de nós têm experienciado no último ano é um teletrabalho a 100%, sem grande preparação. Mas começamos a ter uma base de aprendizagem que nos ajudará a estabelecer as bases sustentáveis para um modelo futuro equilibrado e com mais vantagens que desvantagens.

Uma nova “estirpe” de workaholics, aqueles que estão agora a trabalhar mais horas e de forma mais intensa do que acontecia nos típicos escritórios

Agora entrando no foco deste artigo: sempre existiram os chamados “workaholics”, que são os últimos a sair do escritório, que enviam emails ao fim de semana e nas férias, que nunca “desligam”. Mas acredito que sempre foram uma minoria. Ora o teletrabalho veio dar palco a uma nova “estirpe” de workaholics, aqueles que estão agora a trabalhar mais horas e de forma mais intensa do que acontecia nos típicos escritórios.

Importa perceber porquê e identifico aqui alguns motivos:

  • Equipas que se reduziram por via dos efeitos económicos da pandemia e por isso “sobra” mais trabalho para os restantes;
  • Dificuldades na gestão de equipas à distância e que obriga a maior esforço, mais telefonemas;
  • O frenesim das videoconferências;
  • Maior controlo dos colaboradores;
  • Por via do confinamento e sem hipótese de recorrer a hobbies, acabamos por “cair” no trabalho, entre muitas outras.

Mas seja qual for a razão, ainda estamos a falhar. Simplesmente não conseguimos criar fronteiras entre trabalho e vida pessoal dentro das paredes das nossas casas. E teremos consequências, se não alteramos o ciclo. Consequências ao nível psicológico, familiar, e até mesmo laboral.

Simplesmente não conseguimos criar fronteiras entre trabalho e vida pessoal dentro das paredes das nossas casas

Quantos de nós não nos sentimos já exaustos, sem tempo para nada, irritadiços, menos criativos? Trabalharmos horas sem fio, sem “desligar” não nos vai tornar melhores profissionais, mais produtivos. É exatamente o oposto, perdemos a capacidade de concentração, não estamos focados e é uma espiral…

Não vos trago uma novidade, até porque é um tema já discutido nas empresas, na comunicação social e até no Parlamento, no âmbito dos trabalhos do “Livro Verde”.

Trago-vos sim 2 conclusões:

1. As fronteiras começam em cada um de nós, ninguém as vai definir em nossa substituição. Somos nós os primeiros responsáveis do nosso equilíbrio, da capacidade de “desligar”, de dizer não.
2. Somos bebés de 1 ano nesta experiência imersiva do trabalho remoto. Vamos crescer e aprender.

O modelo a seguir não deve ser este, mas um modelo maturado com as aprendizagens adquiridas. Um modelo onde garantimos o equilíbrio, sobretudo através de alguns dias no escritório, de convívio com os colegas, de mudar de espaço e rever a nossa secretária.

As empresas vão aprender, a legislação vai “aprender” (esperemos que no bom sentido, mas essa discussão fica para outro dia) e sobretudo cada um de nós, enquanto indivíduo, marido, mulher, pai, mãe, filho, gestor de equipa, elemento de equipa, trabalhador, vamos aprender.

Em suma, espero que estes novos “workaholics” sejam apenas “crianças” a crescer. Porque a flexibilidade do trabalho remoto será o futuro.

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